Ouvi negações antes das afirmações que trazia comigo, mas deixei passar porque as buzinas de protestos pediram passagem antes de qualquer objeção…

Tentei quebrar os códigos de segurança para poder relaxar, mas as sílabas se enrolaram no meu último gole e minha tentativa foi frustrada por brutamontes plantados na saída. Iniciei uma conversa solta enquanto ela sorria com um brilho de surpresa. Seu sotaque me levou a buscar sua posição geográfica, que não consegui localizar antes de seu beijo quente. Um beijo tão urgente e sedento que, mesmo impessoal, contou tanto da agonia vivida e me permitiu transportar um pouco da sua história, misturando-a com a minha, através de lábios molhados e sorrisos vermelhos no final.

Seu gosto me transportou para onde os significados das palavras concretas se abstraem e se perdem em um sentido único no universo. Levou-me para onde urgência e vontade falam mais alto. Parecia perdido na praia, antes da maré cheia, que expõe grandes castelos de areia com o sonho de vencer a fúria das ondas, esperando a maré vinda.

Fúria essa igual ao olhar dessa menina. Exatamente como seu beijo quente. Exatamente como perto é a mesma coisa que longe. Exatamente como ela cantou a música que jamais havia ouvido…