Eu te ouvi falar que não se sentia bem, mas que ia melhorar quando o sol saísse para dançar contigo…

Ouvi você lamentar que estava com alguns casos passados na cabeça, que te levaram a promessas vagas e deixaram pedaços falsos de porcelana. Ouvi você contar quando fingiu dar seus corações junto às lágrimas de adeus. Eu te ouvi falar no telefone, perdida na ligação sem sinal: “Onde que os sonhos se perderam? Onde estão os bons tempos de volta?” – eram perguntas retóricas, daquelas que não precisamos de respostas, porque temos a certeza de que não há convicções.

Eu te ouvi gritar por cima dos portões, um grito de sanidade perversa que escapava na sua aflição refletida no espelho quebrado de antes.

No fim de tudo, você falava que estava tudo bem. Que estava apenas cansada das mesmas desculpas e finais de antes. Que queria novas aventuras, novas mentiras para acreditar, e na malícia que fizesse seus cabelos arrepiarem do mesmo jeito de antes. Que às vezes era perversa, mas que tinha no coração um arranjo bonito de rosa que aprendeu a fazer de origami falso. Que apenas estava cansada dos mesmos sapatos e de dormir sem um abraço forte para acordar e sonhar sem limites…