As folhas caem e encontram no chão impessoal seu refúgio final de vida. Dançaram sempre ao sabor de um vento irracional e temporal que não avisava o seu curso nem a sua frequência…
Elas trouxeram beleza a alguns admiradores inatos, mas o seu fim seria junto às solas frias e pesadas. O roteiro não é pensado ou orquestrado, simplesmente se mostra fiel à sua existência mortífera.
Um menino parece se importar com final tão injusto e cruel. Ele se abaixa e, com um sorriso, faz um último carinho, como se fosse um agradecimento por estarem sempre ali por perto. Recolhe dezenas de folhas mortas do chão, tenta não quebrar e as leva para baixo da árvore para, pelo menos, ficarem perto de quem sempre as sustentou.
Um velho que passava naquele momento pergunta ao menino por que perder tempo com as folhas mortas. Mas o garoto responde, com sua inocência berrando por liberdade:
“Porque um dia você também vai morrer e espera ter um pouco de carinho e dignidade quando este momento chegar, não?”
E correu em direção à árvore seguinte…
Conte-me algo aqui...