Deixe a menina colocar a mesa para o café, enquanto você assiste aos vidros quebrados na noite passada, com a insanidade realizada…

Deixe o carteiro empilhar mais contas vencidas, deixe o porteiro tocar para o apartamento vazio. Saia andando com o sol te cegando, brinque com as imagens que surgirão dos reflexos que o olho cria após a micro lesão.

Fique surdo com os carros que passam e com as piadas que nunca te encantam. Aceite a surdez momentânea da música que o vizinho tocou no último domingo. Aproveite todos os sentidos antes de te dizerem boa noite. Converse sobre o jogo que não viu, se importe com o tempo que virou. Recite os versos das areias que o mar fez de ilha, se importe com o que não te importa. Caminhe no orvalho da tarde. Fure o trânsito pesado do rush diário, que te espreme como limão em uma jarra.

Marche sobre as linhas de antes, mesmo que elas não existam mais, e faça antes que a enfermeira venha trocar o medicamento…