A rajada de vento fez uivar a rachadura da porta que eu nunca consegui fechar…
O som se fez presente para provar que, mesmo no vazio, ainda existe o ar em movimento — e ele pode ser o ator principal quando bem entender. As árvores bailam perigosamente lá fora. Os relâmpagos clareiam a noite, fazendo-a dia por um breve instante. Os fios se chocam, causando curtos-circuitos no bairro. Explodem como se fosse uma celebração, mas causam o terror nos que não entendem os motivos.
A chuva tarda para cair e o frio começa a sua briga por protagonismo, tentando roubar do vento o papel principal. É uma guerra sem diálogo, feita apenas pelas sensações que coexistem no imenso tempo. Se fosse uma epopeia matemática, as fórmulas ganhariam as ruas e pediriam suas reivindicações legais. Mas não. É uma guerra silenciosa, sem muitos detalhes, mas com fatores brutos.
No meio disso tudo, estou eu. Que não tinha nada a ver com isso, mas fui assombrado pela insônia e pude acompanhar toda essa reviravolta. Sofro pelo todo, porque sou um dos poucos que entendem o tamanho desprezível que tenho em comparação a todas as outras partes interessadas nesse final… para que o dia comece sem um vencedor.
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