Ainda sinto seu perfume em meu quarto, mesmo você nunca tendo estado aqui. É apenas uma parte do meu cruel destino…
Podemos conversar sobre as palavras não ditas pelos olhares. Podemos tecer comentários sobre o sabor de um toque de outono…
Sem um amor para cantar. Sem um beijo para relembrar. Sem um coração para culpar…
Era sempre o céu da noite que pintava seus olhos. Era sempre a mesma misteriosa brisa gelada que aquecia seu peito…
Esta carta eu envio para uma data desconhecida. Uma data que os anos pesarão de uma maneira singular e os nossos olhos se encontrem novamente…
Se tudo é igual, por que buscamos o que não conhecemos? Por que contemplamos um desconhecido e infinito universo de probabilidades?
É um vento diferente, que te faz mais perto de mim ao mesmo tempo que te afasta para contemplar o céu limpo…
É como uma aflição prudente, que toma vergonha das situações e enumera os resultados nos olhares que ganha ao ser esquecido…
Só abra esse envelope quando estiver prestes a dar seu último suspiro. Apenas quando sentir que seus olhos não sabem de mais nada…