Eu tenho uma enxaqueca das ideias que me fizeram ficar parado no tempo. Tenho dúzias de cartas que nunca consegui enviar. Tenho pesadelos com o silêncio que se instaurou por estes cantos…

Tenho um quilo de desejos, que podem não sobreviver à primavera. Tenho uma centena de pedidos de desculpas e rimas que se fecham em um único motivo aparente, mas que se perde das minhas mãos, por não ter mais sentido se desculpar por algo que nunca foi realmente meu. Quem me vê passando pelo sol do meio-dia enxerga meu sorriso amarelo brilhante, mas se engana ao pensar que o sentimento não está congelado em uma montanha coberta de neve eterna.

Eu tenho uma história, com um enredo e personagens verdadeiros. Eles se amaram, se odiaram, mentiram entre si, discutiram até todas as forças se esgotarem e adormeceram abraçados, chorando todos os seus erros. Tenho tentado contar poucos capítulos disso, mas tenho mais medo de mostrar o real abismo em que me encontro agora.

Por isso é que continuo traçando uma fantasia, uma brincadeira infantil de busca de amor. Um amor que eu já sei que não existe mais, porque o amor verdadeiro se jogou há muitos anos e o que restou foi apenas o batimento de um coração desconhecido…