Ela me olhou nos olhos e perguntou se podia me beijar. Uma pergunta estranha, com certa inocência e solta como uma ponta de nó infantil…
Uma pergunta que reacendeu uma chama esquecida. Uma chama que eu já nem lembrava que existia. Lembranças foram afloradas naquele momento, em madrugada alta e com poucas testemunhas. A chuva caiu sobre o vidro embaçado e, quando ela saiu, já era uma manhã clara de um inverno frio. Voltei com minhas dúvidas, um gosto brilhante na boca, um sino no peito e uma pétala de esperança. Pedi ao meu sono esquecido que guardasse todas as dobras e formas desse dia, para que brincasse com as possibilidades enquanto o relógio trabalhava em horas altas. Eu não acordei desde então.
Sigo flutuando nas dobradiças de um vaso em que depositei todos os meus desejos com ela. Um vaso tão fino e transparente que é possível ver os pequenos cacos que já colei anteriormente. Não acordo, pois temo vê-lo quebrado ao meu lado. Enquanto isso, nesse outro patamar, ela me liga me convidando para conhecer o desconhecido…
Conte-me algo aqui...