Se fosse escrever sobre como se apaixonou, começaria errado. Se fosse falar como terminou, terminaria errado…

Não consigo descrever como ela enxergou as cores que transformaram seu mundo ou até como encontrei significados perdidos no além do firmamento. Existiu um momento em que nós dois fomos um único momento, um único pedaço solto de um mar de tempestade. Existiu esse momento e é quase o único ponto real nesta narrativa solitária. Existiram aquelas estranhas risadas que soltamos mesmo sem entender o significado, gestos que ficaram como mania por meses e emoções perdidas em tentativas de esquecimento, quando tudo se findou.

Enumero inúmeras canções que foram o pano de fundo e que são difíceis de apagar das trilhas vividas. Relembro a suavidade de um simples convite até as tensas gritarias que acabaram com as últimas sustentações deste sentimento. E daí eu desisti. Desisti de tudo, pois vi que, mesmo que tivesse o maior dos universos em meu peito, não acomodaria tamanha complexidade. Com isso, feri os sentimentos alheios e coleciono meus cacos perdidos e lançados pelo vento para um além…

Talvez tenha enjoado desta poesia abstrata que carreguei comigo por anos, tentando definir em vão o amor e rimando, até quando não deveria, algo tão perfeito e sonhado que estava tão longe de se tornar real, que me perdi apenas nos sonhos, sem nunca acordar.

Fico com a certeza de que é preciso muito mais que a embriaguez sentimental ou um sorriso puro que te desperte pela manhã. É preciso mais que compreender os passos, entender seus sinais e relevar as pequenas tempestades ardidas que ele lança de tempos em tempos.

No final, tenho apenas três simplicidades aprendidas com minhas quedas sobre o “amor”: ele não aparece inusitado ou de surpresa, ele se prepara e você o percebe chegando. Ele ficará o tempo necessário do pulso, quando este terminar de correr, ele se queimará junto ao corpo e, por último, ao fim deste finito momento, os aplausos serão ruidosos, pois quem assistirá irá perceber que a pureza é mais do que foi imaginado.

E depois, a mais silenciosa plateia chamará de louco e insano aquele que morreu para descrever o que é o amor…