A tarde estava ensolarada como há tempos não acontecia. O sol foi testemunha do seu pequeno sorriso…
Até ele parecia duvidar de tamanha mudança repentina e começava a se apaixonar pelas novas pétalas que desenhava com o olhar, em frenesi…
Fez o melhor olhar que poderia e revisava a todo instante seu resultado. Fez com letra bonita. Fez com um enredo pronto – onde colocou e ordenou as ideias de forma cronológica. Inseriu toda uma compaixão que a chuva jamais deixou transparecer com seus pingos borrados e deixou a brisa levar o cheiro úmido para longe, selando sua carta definitiva.
Não havia um nome no envelope, mas sabia que seria usada no segundo mês em que seus olhos marejassem. Encheu de paixão, deu até um leve suspiro radiante e lançou na caixa já cheia de cartas. Não havia ordem, pois um dia ele teria que botá-las a correr ou queimá-las na chama da desilusão.
Era assim que se apaixonava, sempre. Faltava um complemento para seu amor, pois a coragem faltava, a personagem principal não existia e tinha apenas esses sonhos, nos quais vislumbrava toda uma vida perfeita pela frente…
Conte-me algo aqui...