A distorção que uniu os corpos separou os desejos e a racionalidade. O refrão chegou forte e encantou, mas os lábios permaneciam separados…

Eu queria o seu grito mais profundo e sincero, mas não posso me responsabilizar pelo resultado de toda a confusão criada. Talvez a gente pule junto, você puxe meu cabelo e eu segure sua cintura com força, em um beijo que será de virada de página. Seria um convite, mas o desejo é recíproco? Os lábios continuam separados…

Eu começo a enlouquecer e sou obrigado a seguir o ritmo da multidão, para que ela me leve mais perto. Tento engrandecer o momento, fazê-lo soar mais real. Caio e levanto, me esmago por entre os acordes, mas ainda não é o suficiente. Tento sorrir, mas os lábios continuam separados…

Então você me encontra no meio, me segura e sorri para mim. O mundo gira de novo e você me lembra do caos existente: as cartas não enviadas, as fotografias espalhadas, as malas prontas, as garrafas quebradas, o desânimo e a realidade…

Você me beija e sussurra ao mesmo tempo: O fim é sempre o fim.