Seu corpo estremeceu porque ele estava dormindo na outra ponta da cama…

Ela apenas queria um contato próximo, um afago para que, quando acordasse do seu sonho desconexo, tivesse algo forte a que se agarrar. Ela continua perdida nas suas manhãs, querendo novos pedidos e sorrisos soltos.

Seus olhos verdes varrem todo o caminho, deseja a loucura plena de uma noite de prazer, mas ainda sonha com o dia em que encontrará alguém que decifrará seus sonhos pesados demais para se preocupar no seu dia.

O celular toca com uma piadinha vaga do rapaz que conheceu em sua última leve embriaguez, enquanto chovia na primavera de seca. Ela separa presentes para impressionar, separa frases prontas, treinadas todos os dias, para soar natural. Separa uma vida toda descompromissada apenas para parecer preparada para os próximos capítulos.

Ela namora com fotografias de celular, com poesias manjadas de mensagem, com deleites que nunca experimentará. Ela sabe, bem no fundo, que são partes de histórias fracas demais para quebrar as paredes de sua vida…

Começa a gritar “Por quê?”, mas sua voz sai muito rouca e fraca, e logo desiste, começando a rezar por um novo romance, apenas para dormir e tentar conectar seus sonhos indecifráveis. Para ter alguém quando acordar, e que seus olhos enxerguem um pouco de calma naquele caos real. Reza para ter algo, mesmo sendo só por hoje. Mesmo indo embora sem se despedir. Mesmo não levando o presente. Mesmo sendo para nunca mais…