Era uma manhã fria de primavera. O vento gelado o acordou e fitou a penumbra do quarto, que ganhava as cores do dia que começava a surgir e o atropelava com seus pontos cruciais…

Mais um dia se iniciava com suas questões mal resolvidas, seus tropeços premeditados e as lembranças que o faziam paralisar a cada recordação. Decidido a mudar os rumos de um possível ataque, resolveu alterar a rotina e passar a limpo suas atividades…

Tirou o pó que estava na cama desde que levara embora a última mulher dali. Alterou as sequências lógicas de acontecimentos e jogou fora as velhas anotações de telefones que nunca havia ligado. O banho frio contrastou com o corpo dolorido. Fez com que o ar faltasse, mas, aos poucos, o corpo relaxou por completo, e pôde sorrir ao pensar na energia que havia consumido.

Retirou as marcas do passado e enviou uma última mensagem, pedindo um adeus sublime — com a ironia que nunca o abandonava. Deixou as tentações para trás e recolheu o sofá à posição inicial. Limpou seus últimos traços e jogou fora, com orgulho, todas as dobras que exibiam suas iniciais…