Era uma estranha madrugada estrelada. Os pontos brilhantes no céu iluminavam mais do que se podia notar naquela cidade…

Não era comum o céu estar daquele jeito. Sempre era uma mescla da poluição da grande cidade, com as nuvens que nublavam seus momentos. Por isso ele tinha um leve sorriso no rosto, enquanto vagava entre uma constelação e outra, que sempre estiveram ali, mas que não eram notadas por não estarem sempre visíveis…

Entre um olhar e outro, começou a pensar no que existiria por ali sem que ele notasse.

O que estaria oculto aos seus olhos naquela cidade que ele pensava conhecer tão bem?

Desligou a música de sempre, que usava para passar o tempo, e aguçou os ouvidos enquanto caminhava para casa. Queria ouvir o som real daquela cidade que o matava aos poucos, enquanto fingia um amor inimaginável. Queria notar novos segredos ou algum detalhe inédito naquele cotidiano do qual já estava farto. Dobrou três ruas diferentes, respirou fundo e tentou driblar o olor acre tão característico daquelas esquinas. Tentava encontrar uma sacada nova, uma pista de uma história inacabada ou até mesmo uma vírgula onde pudesse continuar a narrativa com essa nova perspectiva.

Andou por quase duas horas e criou novos enredos na mente. Descobriu caminhos, lojas e bares que desconhecia, mesmo vivendo ali por quase uma década. Chegou em casa com uma energia diferente, abriu a janela para que aquelas estrelas banhassem seus sonhos e energizassem aquela motivação que já estava apagada, quase sumindo.

Pela primeira vez, em muitas semanas, dormiu com um sorriso no rosto e pôde esquecer todos os pesadelos que conviviam naquela cidade sempre nublada e oculta…