Sombras e trevas mesclando com perfeição um verão intenso. Bom, ruim, certo e errado em perfeita conjectura com Júpiter transformando tudo em estrelas e luas…
A sanidade brinca com ilusões criadas no quarto sem cama, logo à frente da cozinha. Árvores cintilam no parque fechado, buscando o último respingo da flora bruta.
Talvez aquele ser ao lado da porta seja o bobo da corte que chora lágrimas de verdade, fazendo tantos rirem e pensarem nos erros de suas vidas. O tamanduá-bandeira entra em busca das formigas que trabalham para reconstruir os lares perdidos pelo bebê de colo solto no picadeiro.
Terrorismo! – gritam aqueles tantos, enquanto os personagens do desenho animado jogam ludo no canto do corredor. A velha cega recita versos para dois ou cinco meninos que parecem dormir com seus ursos nos braços.
Se for para se notar na cena criada, tudo tem um significado, concordância verbal e nominal. A regência não se perdeu, pois teve sangue-frio para continuar sua firme atividade. Celulares e rádios gritam as músicas esquecidas que confundem seus donos. Donos que estão repletos de gente, mas vazios de ideias. Cheios de ar, mas vazios de vida.
O despertador canta as horas quebradas como rotina e as folhas se agitam com a tempestade que se aproxima. O colírio cura a enfermidade dos olhos e o clipe fecha o envelope deste cinzeiro…
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