Como uma nebulosa densa de indecifráveis caminhos, perambulante pêndulo que sempre tenta desenhar uma escapada redundante e cíclica…

É sempre alguma coisa que atrapalha o pensamento concreto. O coelho tem olhares carregados para a cesta defronte ao vale encantado. A bola quica para uma piscina de folhas que são carregadas pela doce marola de fim de tarde. O ar úmido e carregado de sal transporta para uma época em que o alucinava, trazia um tremor único de novidade e enchia os olhos de um amor tão puro que se perdeu ali na esquina do sabor.

Os caminhos ainda são os mesmos, mas os nomes viram rabiscos desconhecidos na caixa de correio aberta. Sem uma pista, sem uma carta, sem um amor ou até uma poesia. Lembro-me da poesia fechada com um alfinete de fralda, na letra carregada sem malícia, mas com um ar adulto que me fez parar de respirar muitas vezes.

Eu nem sei por onde anda a menina da rua da locadora, não sei das suas aflições e muito menos das suas lágrimas secretas. Desejar a adolescência novamente é perda de tempo, mas pelo menos um olhar de compreensão e profundamente conhecedor de todos os meus tremores me faria ser uma pessoa melhor agora.

Onde quer que você esteja, saiba que ainda guardo sua risada nas minhas noites de verão sonhador…