Em uma rua pálida, uma senhora fez um gesto com sua bengala para os céus e suplicou. Suas palavras caíram na terra marginal, ecoando por entre folhas e limbo uma doce esfera de dúvida e angústia latente…

Seus olhos marejavam um tom púrpuro que nunca encontrei na aquarela do artista. Códigos e folhas brecaram suas marchas e seus significados, contemplando o tamanho do desenrolar desenfreado.

A senhora olhava fixa para um ponto esquecido, buscava com mãos trêmulas seu eterno sono. Tentava ensaiar passos, mas só conseguia encontrar o gesso da vida, modelado para algo tão concreto e simples que ela parecia não acreditar.

Queria arriar e arrear sua modesta túnica, queria dedilhar pelo infinito as rimas que nunca haviam sido tentadas. Ela berrou pela última vez e, sem resposta sentida, voltou-se para seu andar da vida, seu ritmo cadente, certo e modelado como sempre.

Não lamentou, nem demonstrou tristeza, apenas seguiu em frente. Não suspirou e muito menos emanou desapontamento. Essa senhora nunca me pareceu ter um nome, mas, por nunca a ouvir e sempre senti-la próxima, decidi chamá-la de coração…