Os toques foram frios no corredor de lamentações. Embriaguez, lamúrias e aflições tingiam o povoado local de um tom rubro, acre e indefinido…

As lampejas tramitaram de se esconder pelas vielas de prazer, ofuscando todo um brilho saudável, que vinha de um sol plano que cismava em não se mover. A impessoalidade do cotidiano fazia os casacos parecerem grandes e escondiam o rosto que suava por dentro, mas ninguém ousava tirá-los. Não existia medo, mas um leve tremor nos olhos daqueles que pensavam fora de suas linhas tortas e apagadas. Lá fora, o corredor se abria em um leque numeroso de opções, mas algumas pessoas estavam caídas de cansaço, por não terem o conhecimento da escolha a fazer, e lamentavam, fechando o ciclo vicioso que retomava seu curso pela porta lateral.

O curioso era o menino que fechava essa porta. Carregava um brilho de incredulidade no olhar, e era possível ler seus lábios cansados dizendo, tristes, enquanto mais um se lamentava no ciclo:

“É só dar um passo. Um passo, e o mundo se mostrará vivo…”