Fotos incendiadas no hall de entrada. Cinzas de uma lembrança que parecem resistir em desaparecer, como direções impostas por mapas aquém…
Fatos de um crime premeditado e surrealista. Fotografias coladas na parede, linhas ligando situações e intercâmbios selecionados como a nova rainha de copas. Palavras relembradas, frases repetidas, refrões roubados e cenários iguais, apenas com diferentes orações — sejam religiosas ou gramaticais. Tudo trazia um ritmo diferente e um toque angelical que parecia resistir na existência.
A menina soltou as tranças para abanar o calor que sentia. Deixou cair, junto, as lágrimas do desespero comprimido em seu peito. O menino clamou aos céus por um novo recomeço e marchou além de seus limites para se fazer refém do novo destino. Eles não se encontrariam por acaso. Eles não se beijariam no escuro da inocência. Eles não selariam o futuro do amor — afinal, estavam em mundos diferentes. Separados pelos próprios desejos, enclausurados nas próprias frustrações.
Cometeram o pior dos crimes previstos: confiar no amor como único e perpétuo salvador. E assim, nunca saíram da prisão em que viviam, mesmo sem enxergar que ela era apenas mais uma das mentiras existentes…
Conte-me algo aqui...