O sol ainda não ilumina esta rua. Ele habita o céu, mas, tímido, não alcança o asfalto onde piso…
É uma pintura clássica entre o adormecer e o despertar — o desfecho da batalha entre a treva e a luz triunfante. Há, nesse instante singular, duas conexões antagônicas respirando o mesmo ar. Dois mundos saboreando o mesmo segundo, expondo o que há de mais oposto neste mundo de obrigações.
Os recém-despertos, pulsando a energia do início; e os embriagados pelos prazeres noturnos, tropeçando em seus passos, enrolando a falando com desejos e histórias que tentam guiar seus caminhos.
Nessa guerra de antônimos, habitam os predicados que juramos serem diferentes. No fundo, estamos todos remando o oceano de sempre. São mundos parecidos, mas com um abismo entre eles. São sonhos construídos, mas com graus de precisão diferentes. São ambições iguais, mas com planos diferentes. São os mesmos destinos, mas com as razões opostas.
É difícil admitir: todos os extremos convergem para o mesmo fim, feitos de pó e ar, por mais que gastem a vida tentando fugir um do outro…
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