Eu sou o maior culpado do tempo não passar mais. Sou o culpado da inércia em que se transformaram meus dias e meus gritos abafados…

Nunca imaginei que fosse chegar a este ponto. Onde o nada brinda suas dores com coisa alguma. Onde o vazio perde o seu último suspiro e desaparece em uma névoa que não deveria estar ali fora nesse verão. Estou rodeado de um silêncio que antes era constrangedor, mas que agora beira o fio de uma navalha próxima do meu corpo.

Eu estava angustiado, é verdade. Eu estava preso em um redemoinho feroz, também. Eu estava sufocado em uma rotina que eu não tinha mais energia para acompanhar.

Mas, sinceramente, isso era algo. Era algo movediço. Era algo que me machucava. Era algo que me fazia importar. Era algo cujo reclamar aliviava a tensão que me corroía por dentro…

Agora, não consigo balbuciar três frases completas. Agora chamo um socorro que nunca chega, porque não me ouve. Agora, eu tento encontrar algo ao redor, mas até o “ao redor” se foi com o vento que essa cidade nunca teve, mas, como uma ironia, agora parece meus piores pesadelos passados…