A faca foi afiada demais e o corte trouxe uma erupção de sangue que não estava prevista no roteiro daquela tarde…
A ferida ardeu logo no primeiro segundo. Era a mensagem clara de que algo havia saído do controle inicial e agora restava aquele novo conserto para realizar. O talho logo desapareceu de vista, porque o sangue quis tomar as rédeas da situação. Foi um grande estrago em uma pequena fração de tempo, quase inaudível.
O curativo não fixava de maneira nenhuma. Tentaram todos os ditados e simpatias. Todas as manhas e trejeitos. Mas a fenda ainda estava ali, jorrando o líquido que parecia minguar a vida, mas que se fazia muito presente no momento oportuno.
A cura viria, como diziam os nossos avós; mas o que ficaria ainda latejando na lembrança era a forma como a ardência daquele corte assinou a sua existência. Assinou sua aparição e coroou, como se fosse necessário, a ideia do cuidado que se perdeu naquelas entrelinhas — que nem deveriam ser pintadas com a cor do sangue, no saguão de espera impessoal…
Conte-me algo aqui...