Como podemos ser algo valioso, se nem sequer temos certeza do que significa ser uma pessoa valiosa?
É como dirigir uma marcha fúnebre desgovernada para além dos destinos traçados. É aquele gatilho momentâneo que não se pode parar — ou que não se quer parar para respirar e entender os pontos levantados pelos sonhos da noite anterior. É uma clemência que não se faz ouvir — um grito sufocado pelas dúvidas que pairam em um livro de respostas já esquecido. Mas como pronunciar as respostas, se não existem perguntas?
Será que é apenas a velha facilidade de afastar pensamentos errôneos, ou aceitar o maior dos destinos e deixar a escuridão vencer? Se o primeiro a chegar do outro lado não acompanhará o trajeto do segundo e ignorará para sempre o esforço desenhado?
Parece uma sentença matemática: se nada importa, esse nada piora e assim o sofrimento se desfaz. Quase como a derivada que se aprende no primeiro dos infernos do cálculo.
E assim se ouviu um chorar profético. Quase como se fosse uma canção popular, mas que emocionava no sentido contrário ao da sua criação. Ainda era o mesmo carro desgovernado, mas por um breve instante aquele caos se alinhou e foi possível sonhar brevemente com um futuro que ninguém sabia que existia…
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