O candelabro se estilhaça em mil partes. Como meu corpo despedaçado, cada fragmento jamais se unirá novamente, e tudo se perdeu naquele breve instante…
O sol já se escondeu na abóbada celeste. O tempo agora corre de maneira diferente, transformando agonias em desejos e quebrantos em salvações. Ninguém tem certeza do que ocorre naquela penumbra misteriosa, mas muitos sugerem que algo divino banha os lamentos secos na esquina da paralela…
Ali havia flores antes, mas talvez a estação tenha ido embora e mudado tanto que nada mais cresceu ali. Da mesma maneira, falta a poesia musical que as crianças cantavam aos pais no recreio. Há uma senhora, com lágrimas borradas, em um canto da cena. Carrega um cartaz de protesto com alguns desenhos escassos. Ela lamenta o que nunca se tornou…
Há o movimento normal da vida atropelada. Aquela vida que não deixa você respirar e que o varre para longe, se ousar questionar ou refletir sobre suas nuances. Há a urgência de que todos falam, mas que ninguém consegue explicar. Há o necessário, mas sem saber onde aplicar. Há o plano perfeito, mas que falha por não ter um plano de execução…
E, no final de tudo, todos somos o candelabro: quebrados em um instante que se torna supérfluo em uma existência fadada apenas a contar os minutos além…
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