Estarei ali, em algum lugar perdido entre a espada, as palavras não ditas e a parede de lamentações…
Passei a vida toda buscando uma melodia que ditasse a mescla de cores existente. Sempre por trás, como sombra, para ser mais paisagem do que personagem. Mais habitual do que importante. Como tantos singulares que nunca se encontraram no predicado do jardim. Sempre fugi das esfinges que apontavam minha realidade de pedra e a meia-vida sem rima. Sempre fugi dos verbos diretos, porque preferia a indiferença e a dúvida dos que se conectavam indiretamente comigo.
Não saberia dizer se o mundo está ao contrário ou se sou eu quem está de ponta-cabeça. Perco-me em definições simples que foram ensinadas, automaticamente, por ninguém em especial. E todas as coisas que eu não poderia ser são, exatamente, as que melhor me definem. Quando finalmente me encontrei nos teus abraços, perdi-me porque estava sozinho e abandonado.
Sinto-me como aquele toque sutil, com o mar revoltado de ressaca. Avanço por entre paredes que não conheço, pedindo permissões por contos que desconheço. Desmoronei como obra premeditada ao fracasso e, mesmo assim, perdi todas as pedras que juntei para minha sustentação oral…
Conte-me algo aqui...