Sou como todos os que passam por mim: tenho anseios, sonhos e brinco de que a vida seria melhor do lado de lá. Mas sei que o “lado de lá” é tão frágil quanto um cristal caindo do décimo andar…
Corro por promessas e punições, que tentam limpar minha mente dos pecados que cometo ao tentar me sentir menos solitário. Construí uma prisão perpétua, que antes era um castelo impenetrável e sem sentimentos externos. Minei todas as cores que pudessem existir aqui e comecei a escrever os meus sonhos.
Depois de um tempo, criei a péssima rotina de acordar antes das conclusões. Isso me dava licença poética para mudar e bordar as possíveis nuances existentes. Criei livros, borrando nomes que apareciam, reduzindo peças soltas a leves pistas de quem me inspirou em tal motivo, e minha obra foi toda pautada na simples atividade de abstrair as presenças que trouxeram alegria ao meu coração. Como um viciado, eu me alimentava semanalmente com centenas de ilusões e promessas, tudo para sonhar. Apenas para sonhar e nunca para realizar.
Cheguei ao ponto de ver minha obra terminada, mas a bagunça criada foi tanta que perdi as chaves dos portões e nenhum grito é ouvido, pois todos estão longe demais para ajudar. Eu ignorei todos os avisos perigosos desta solidão, corri para longe para provar o quanto era bom e completo com meus versos.
Agora nem eles, estes versos tão abstratos e desconexos, podem me ajudar a encontrar um futuro claro. Agora fico aqui arranhando o mesmo quarto de antes, preso em um mesmo buraco por anos. Agora sou um corpo não jovem, uma mente cansada e um coração que apenas queria amar alguém, mas sem forças para bater.
Como se adiantasse, escrevo a última poesia prometendo que irei amar para todo o meu sempre a quem vier me resgatar das minhas próprias mentiras…
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