Talvez fosse aquilo que chamam de fundo do poço. Não tinha mais energia para a rotina, não tinha mais chama de alegria e algumas vezes sentia meu coração palpitar apenas de pensar no dia seguinte…
Pensei que fosse uma fase. Pensei que fosse algum tipo de ressaca nova, visto que estava bebendo mais que o normal, que já era muito, nas últimas semanas. Pensei que fosse alguma falta de vitamina, de alimento ou de alguma enzima X que meu corpo parou de produzir. Pensei que fosse o primeiro indício que a vida começava a minguar do meu corpo…
Nesse turbilhão todo, comecei a perder o interesse em tudo. Desde as coisas mais simples da minha rotina, até coisas mais complexas e programáveis. Parei de querer sair de casa e quando estava em casa, andava de um lado para o outro, confabulando diagnósticos e tomando remédios para dormir por mais de 12 horas.
Talvez foi esse o início em pensar a buscar ajuda. Talvez foi essa mão trêmula que nunca tive. Talvez foi me deter olhando para fora de casa e não me reconhecendo nesse mundo…
Dos muitos talvez na minha mente, a única parte concreta era que o meu maior medo já estava vivendo comigo. Aquele medo que nunca pronunciei, nem para o meu espírito, porque tinha certeza que ele ouviria, se aproximaria e enraizaria suas garras em meus passos. Aquele medo que eu sempre criei dez mil planos diferentes para que ele não se aproximasse do meu verdadeiro desejo. Aquele que é o responsável por toda insônia que tenho desde adolescente. Aquele que eu nem gosto de escrever, porque as palavras têm força e vibram para que ele se aproxime mais de mim…
E aqui estou, criando outra fantasia, criando outro personagem e vagando por uma história cheia de defesas para que esse medo se borre dos meus pensamentos e eu finja que ele já não se apoderou de todo controle da minha vida…
Conte-me algo aqui...