Ainda hoje não consigo descrever como foi a sensação de chegar finalmente à praça da Catedral de Santiago de Compostela. Por meses imaginava aquele momento, mas nada se comparava ao sentimento real…
A emoção se reservou para o último dia. Nos últimos quilômetros vividos dessa jornada, o choro que lavou a alma foi o protagonista que faltava para encerrar todos os pontos vividos…
Os dias seguintes foram com essa base de amizade feitas. Durante dias compartilhamos os passos, as etapas e as angústias que cada um trazia na sua mochila…
Quando decidi fazer o Caminho, minha ideia era percorre-lo completamente sozinho. Fazer todas as suas jornadas em uma viagem solitária, introspectiva e intensa em todas as batalhas, físicas e mentais, que eu deveria viver. Mas, o Caminho tinha outros planos para mim…
Apesar da mochila ser o item mais complicado de se manejar – e controlar – no Caminho, você acaba percebendo desde os primeiros passos que o peso carregado vai muito além das roupas e equipamentos…
Como comentei há alguns capítulos, o meu momento predileto do dia era vivenciar o “despertar da vida com os primeiros raios de sol”…
Desde antes de fazer o Caminho de Santiago fui dessas pessoas que acreditava que o Caminho deve ser feito sozinho…
Acompanhando ao mesmo tempo o choque inicial e o entendimento de que o Caminho iria me ensinar muitas coisas, cheguei ao momento de deixar as tensões e preocupações de lado para desfrutar da jornada de forma intensa e transparente…
Admito que demorei para viver o Caminho de Santiago de maneira mais aberta e receptiva. Ainda carregava meus medos, anseios e tinha certa dificuldade em aceitar que as mudanças começavam a surgir na minha vida…