Poderia te mostrar o que imaginei para esse fim cheio de escrúpulos. Poderia mentir, jurando que as rimas se desencontraram no final dos versos…
Não foi proposital — ou não de propósito, ao menos. É que os sentidos resolveram se digladiar por um instante mínimo de atenção, que logo se transformou em horas perdidas atrás de uma explicação plausível – e se perdeu para todo o sempre, depois que virou o capítulo.
Mas aí, sobraram os presentes envelopados. Eram arranjos bonitos, daqueles que sonhamos, mas não ousamos almejar. Como sonhos distantes que cruzam o olhar enquanto insistimos em um gole dourado que nos leve ao oásis paradisíaco.
Mesmo com tudo isso, consegui organizar as feições e objetivos. Deixei tudo intacto, para que a estreia fosse impactante e inesquecível. Ajeitei a luz principal e o figurino combinando com as minhas paixões. Ordenei meus sonhos para que rimassem junto ao segredo mais delicioso. Limpei todo o jardim, para que as ervas daninhas estivessem longe das minhas unhas…
Porém, ela respondeu com uma mensagem fria de meio de tarde. Uma daquelas colocações que não tem substantivo ou adjetivo – insossa por clemência. Disse que tudo foi obra de um acaso qualquer e que, talvez, fosse mais feliz antes de ler o que lhe escrevi.
Conte-me algo aqui...