Sinto falta de folhear um livro. Brincar com suas imagens, criar suas cores de forma abstrata e longa, mas sempre tão vaga quanto costumo ser…

Preenchendo essa necessidade, encontro uma solidão que me permite degustar um gosto amargo do qual fugi por meses a fio. A solidão palpável. Consigo enxergar o dia correndo pelas cores da janela, pelos animais correndo vagarosos e os carros subindo e descendo a ladeira desejada. Vejo a velocidade correndo frenética fora, mas me deparo com um silêncio mortal aqui dentro. Do abrigo do mundo.

Os cômodos suspiram em uníssono silêncio, como se estivessem mortos apenas por existir neste espaço. Caminho por tantos momentos que penso serem novos, que fica difícil definir se existiu realmente alguma vez vida, pois tudo parece congelado em um momento qualquer, que ficou perdido e esquecido num passado de bolor. Tento criar um eco qualquer para provar minha existência, mas o som sai abafado, como se fosse proibida tal manifestação.

Percorro tudo novamente, tentando encontrar um lugar para respirar, um lugar que me agrade. Que me agarre forte e me crie hematomas que eu possa lembrar e exaltar. Percorro até um lugar onde a solidão esteja menos participativa e que não me encare com seus olhos cruéis do canto escuro, banhado pela luz de angústia…