Meu sangue se espalha pelo mármore frio de um piso que desconheço. O sol se derrete no plano longínquo do horizonte que desdenha do formato original…

É como se a vida fluísse para longe do alcançável, mas faz isso soltando gargalhadas estridentes de um desaforo completamente fora do aceitável. É como se o ar se tornasse rarefeito logo onde as ondas quebram, espalhando sua força vital por dezenas de lugares além dali. É como o seu plano de dívidas morais que, de tanto ser escondido dos olhos alheios, se emplumou para o deleite de uma plateia jovem e sem apego por nada além do materialismo barato…

E ali, entre as porções de meias verdades, estou sangrando um sangue que aparentemente não é meu, mas sinto os sintomas reais daquela hemorragia escancarada. Ali estou sufocando por uma ajuda de cujo idioma correto desconfio. Ali estou rezando todos os meus profundos receios, pois nunca aprendi a ter a tal da fé que muitos falam e escrevem por aí…

Entre todas essas peculiaridades, o sol se foi. Baixou a temperatura, fez abrir os sorrisos que faltavam e começaram as saudações de álcool e futilidades. Com tanto a celebrar e a notar presença, ninguém queria enxergar além do que via: um chão ensanguentado e a sentença final de um capítulo perdido…