É um abismo tão conhecido quanto indecifrável. É um lugar comum para meus sentimentos, mas ainda pouco rotineiro para meus olhos…

Aqui sinto aquela sensação de conhecer todos os pormenores, mas ao mesmo tempo me surpreendo com os próximos passos. Poetizei tanto esse lugar que conheço os locais de seus tesouros, de seus oásis perdidos, e também sei onde conseguir meu alimento saudável para manter-me vivo. Ao mesmo tempo me perco em um curto trajeto diário. Suas ruas são desconhecidas, seus nomes, de difícil pronúncia, sua grafia traiçoeira e repleta de falsos cognatos que me embaralham as conclusões.

Aqui vivo uma mistura eterna de alegria e sufoco. De plenitude e angústia. De sonhos leves aos pesadelos pesados que me despertam sempre com palpitações perigosas. Vivo entre um sol que bronzeia minha pele e doura minhas ideias, mas tudo ao redor exala um odor acre e ácido que me enjoa e repele. Tenho a alegria de viver uma melodia agradável, mas me roubaram violentamente quando eu estava tentando retornar para casa…

Ansiei tanto para viver em suas ruas, me perder em seus segredos e poder me reinventar em suas conclusões, que nunca imaginaria que teria medo de arriscar o próximo passo e não encontrar a inspiração que sempre me guiou e me protegeu da falta de sentimento que o meu coração pulsava para alimentar a chama do amor que ele foi feito para viver…